As 7 Marcas do verdadeiro ARREPENDIMENTO<

/span>

Quando a tristeza segundo Deus produz mudança

2 Coríntios 7.8-11 e as sete marcas do verdadeiro arrependimento

● ● ●

“A tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação...”

2 Coríntios 7.10

ESTUDO BÍBLICO PARA CÉLULA E FAMÍLIA

Ênfase didática: as sete marcas de 2 Coríntios 7.11

Pesquisado, organizado e estruturado por Pr Leonir de Oliveira

ARREPENDIMENTO · 2 CORÍNTIOS 7.8-11

Como usar este estudo

O estudo foi preservado em sua linha bíblica, exegética e pastoral. Para uma leitura integral, siga a sequência completa. Se o tempo da célula for curto, as seções 4 e 13 concentram as sete marcas e o exame pessoal, sem perder o vínculo com o restante do estudo.

Sumário

1. ARREPENDIMENTO: UMA DAS PALAVRAS CENTRAIS DO EVANGELHO

2. NEM TODA TRISTEZA É ARREPENDIMENTO

3. 2 CORÍNTIOS 7: UMA REPREENSÃO QUE DOEU PORQUE AMAVA

4. AS SETE MARCAS DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

5. AS SETE MARCAS REALMENTE PODEM TESTAR NOSSO ARREPENDIMENTO?

6. O RESTANTE DA BÍBLIA CONFIRMA: ARREPENDIMENTO PRODUZ FRUTOS

7. RICHARD OWEN ROBERTS E JOHN OWEN

8. O ARREPENDIMENTO É UM ATO E TAMBÉM UMA POSTURA CONTÍNUA

9. ARREPENDIMENTO NÃO É AUTOPUNIÇÃO

10. NÃO CONFUNDIR SERIEDADE COM DESESPERO

11. O ARREPENDIMENTO TAMBÉM É COMUNITÁRIO

12. ENTÃO, O QUE É ARREPENDIMENTO VERDADEIRO?

13. AS SETE MARCAS COMO EXAME PESSOAL

14. OUTRAS PERGUNTAS QUE A BÍBLIA ACRESCENTA

15. PERGUNTAS PARA A CÉLULA E PARA A FAMÍLIA

NÃO DESPERDICE A TRISTEZA

FOCO PARA A CÉLULA: as sete marcas do verdadeiro arrependimento (seção 4) e o exame pessoal (seção 13).

ARREPENDIMENTO · 2 CORÍNTIOS 7.8-11

“Agora, me alegro, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento [...] Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação [...] Pois vede quanto cuidado produziu isto mesmo em vós...”
2 Coríntios 7.9-11

Há poucas palavras no vocabulário cristão que podem ser usadas de maneira tão verdadeira e, ao mesmo tempo, tão superficial quanto arrependimento.

“Desculpe.”

“Foi mal.”

“Eu errei.”

“Perdão.”

“Não vai acontecer novamente.”

Todas essas frases podem estar presentes em um arrependimento verdadeiro. Nenhuma delas, porém, prova por si mesma que houve arrependimento.

É exatamente nesse ponto que 2 Coríntios 7.8-11 se torna desconfortavelmente necessário.

Paulo mostra que existe uma tristeza que toca profundamente as emoções e, mesmo assim, não transforma a vida. Existe remorso que lamenta as consequências do pecado sem abandonar o próprio pecado. Existe vergonha sem conversão. Existe dor porque fomos descobertos, porque perdemos alguma coisa ou porque nossa imagem foi atingida.

Existe, porém, outra tristeza: a tristeza segundo Deus. Ela não termina em si mesma. Produz arrependimento, e esse arrependimento começa a tornar-se visível.

Assim, a grande pergunta deste estudo não é apenas:

“Eu me senti mal pelo que fiz?”

A pergunta é:

“O que essa tristeza produziu em mim?”

Richard Owen Roberts percebeu a força dessa pergunta e construiu uma de suas mensagens mais contundentes exatamente sobre 2 Coríntios 7.11. Séculos antes, João Calvino havia identificado os mesmos sete elementos como frutos do arrependimento. E a Escritura, quando examinada de maneira mais ampla, confirma o princípio: verdadeiro arrependimento produz frutos.

O fruto não compra o perdão.

O fruto não acrescenta nada à obra consumada de Cristo.

Mas o fruto revela que alguma coisa realmente mudou.

1. ARREPENDIMENTO: UMA DAS PALAVRAS CENTRAIS DO EVANGELHO

O próprio título de Richard Owen Roberts é significativo:

Repentance: The First Word of the Gospel — Arrependimento: a primeira palavra do Evangelho.

A formulação encontra apoio evidente no Novo Testamento.

João Batista aparece pregando:

“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.”
Mateus 3.2

Jesus inicia seu ministério proclamando:

“Arrependei-vos e crede no evangelho.”
Marcos 1.15

Pedro prega em Pentecostes:

“Arrependei-vos...”
Atos 2.38

Paulo resume seu ministério afirmando que anunciou:

“que se arrependessem, se convertessem a Deus e praticassem obras dignas de arrependimento.”
Atos 26.20

Arrependimento, portanto, não é um apêndice desagradável do Evangelho.

É parte de sua própria mensagem.

Mas é importante compreender corretamente o que isso significa.

Arrepender-se não é pagar pelo pecado.

Arrepender-se não é merecer perdão.

Arrepender-se não é produzir sofrimento suficiente para convencer Deus a nos receber.

Arrependimento é a resposta daquele que, alcançado pela graça, começa a enxergar seu pecado diante de Deus e deixa de querer permanecer abraçado a ele.

Wayne Grudem observa que arrependimento e fé são aspectos inseparáveis da conversão: voltar-se para Cristo implica simultaneamente abandonar aquilo de que esperamos que Cristo nos salve.

Calvino também insiste que fé e arrependimento devem ser distinguidos sem serem separados. Para ele, arrependimento é uma verdadeira conversão da vida para Deus, envolvendo mortificação da velha vida e vivificação pelo Espírito.

Assim, podemos formular inicialmente:

ARREPENDIMENTO É UMA MUDANÇA DE POSIÇÃO DIANTE DE DEUS E DIANTE DO PECADO.

Aquilo que antes justificávamos começamos a confessar.

Aquilo que protegíamos começamos a abandonar.

Aquilo com que convivíamos pacificamente começamos a combater.

E aquele de quem fugíamos começamos novamente a buscar.





2. NEM TODA TRISTEZA É ARREPENDIMENTO

2 Coríntios 7.10 apresenta uma das distinções mais importantes de toda a passagem:

“Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.”

Paulo não apresenta tristeza versus ausência de tristeza. Ele apresenta duas espécies de tristeza.

Quadro didático — duas tristezas

Tristeza do mundo

Tristeza segundo Deus

Pergunta principalmente: “O que isso vai me custar?”

Pergunta: “O que fiz diante de Deus?”

Pode lamentar descoberta, vergonha, perda e consequências

Enxerga o pecado à luz da santidade de Deus

Pode produzir lágrimas intensas sem mudança

Produz arrependimento e mudança de direção

Pode continuar protegendo o amor pelo pecado

Passa a rejeitar o pecado e buscar restauração

Centro permanece no próprio eu

Centro se desloca para Deus, sua honra e sua vontade

A tristeza do mundo

A tristeza do mundo pode ser intensíssima.

Pode haver lágrimas.

Insônia.

Vergonha.

Ansiedade.

Medo.

Desespero.

A pessoa pode estar sinceramente destruída emocionalmente e, ainda assim, não estar arrependida.

Isso acontece quando a principal preocupação continua sendo:

“o que acontecerá comigo?”

“o que as pessoas pensarão de mim?”

“o que vou perder?”

“como recuperarei minha reputação?”

“como escaparei das consequências?”

O centro continua sendo o próprio eu.

É possível lamentar profundamente as consequências do pecado e ainda preservar no coração o amor pelo pecado.

A tristeza segundo Deus

Paulo usa a expressão:

κατὰ θεόν — kata theon

“segundo Deus”, “conforme Deus”.

A tristeza começa a enxergar o pecado a partir da realidade de Deus.

A pergunta deixa de ser apenas:

“o que isso fez comigo?”

e passa a incluir:

“o que fiz diante daquele que é santo?”

Davi expressa isso no Salmo 51:

“Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos.”
Salmo 51.4

Naturalmente Davi havia pecado contra Urias, contra Bate-Seba, contra sua família e contra Israel. Mas chegou ao ponto mais profundo da questão:

todo pecado é, em última análise, pecado diante de Deus.

A tristeza segundo Deus não elimina a consciência do dano causado às pessoas.

Ao contrário, aprofunda-a.

“Eu feri minha esposa” torna-se também:

“Desonrei diante de Deus a aliança que ele me deu.”

“Eu menti para alguém” torna-se:

“Tratei a verdade como algo negociável diante do Deus da verdade.”

“Eu prejudiquei alguém” torna-se:

“Usei uma criatura feita à imagem de Deus para satisfazer meus próprios desejos.”

É isso que começa a diferenciar remorso de arrependimento.

3. 2 CORÍNTIOS 7: UMA REPREENSÃO QUE DOEU PORQUE AMAVA

Para compreender as sete marcas precisamos lembrar o contexto.

O relacionamento entre Paulo e a igreja de Corinto havia atravessado profunda tensão.

Depois do ministério inicial do apóstolo naquela cidade, surgiram graves problemas. Paulo precisou confrontá-los. Houve uma visita dolorosa e uma carta severa, escrita em profunda angústia. Em 2 Coríntios 2.4, Paulo chega a dizer que escreveu “com muitas lágrimas”.

A identificação exata dessa carta permanece discutida. Alguns a relacionam diretamente com 1 Coríntios; outros entendem que existiu uma carta intermediária que não foi preservada.

Isso não precisa ser resolvido para entendermos 2 Coríntios 7.

O ponto fundamental é que Paulo escreveu algo que feriu os coríntios porque uma situação séria precisava ser enfrentada.

Depois ficou esperando.

Como reagiriam?

Atacariam Paulo?

Romperiam com ele?

Minimizariam a situação?

Justificariam o pecado?

Procurariam apenas recuperar sua imagem?

Ou se arrependeriam?

Então Tito retorna.

E traz boas notícias.

A comunidade tinha sido profundamente contristada, mas a tristeza havia produzido mudança.

Por isso Paulo diz:

“Agora me alegro, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento.”
2 Coríntios 7.9

Esse detalhe é decisivo.

Paulo não celebra a dor. Celebra aquilo que a dor produziu.

Warren Wiersbe observa que os coríntios aceitaram a mensagem de Paulo e tomaram as providências necessárias. O arrependimento mostrou-se na preocupação em fazer o que era certo e em restaurar aquilo que havia sido quebrado.

Aqui aparece uma importante lição pastoral:

amor não é ausência de confronto.

Às vezes amar exige falar algo que produzirá tristeza.

Mas também:

confrontação cristã nunca deve ter a tristeza como finalidade.

Seu objetivo é arrependimento, cura e restauração.

ARREPENDIMENTO · 2 CORÍNTIOS 7.8-11

4. AS SETE MARCAS DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

Chegamos ao centro do estudo.

“Pois vede quanto cuidado produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que defesa, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vindita! Em tudo destes prova de estardes inocentes neste assunto.”
2 Coríntios 7.11

Craig Keener chama atenção para a forma retórica do versículo. Paulo acumula os termos, repetindo a estrutura para intensificar a afirmação. A enumeração funciona como uma sucessão enfática:

que cuidado... que defesa... que indignação... que temor... que desejo... que zelo... que vindita!

Não é uma lista frouxa.

Paulo quer que vejamos a quantidade e a intensidade do que aquela tristeza havia produzido.

Richard Owen Roberts transforma esses sete elementos em um exame pastoral muito sério. Ele rejeita a ideia de encontrar cinco dos sete e concluir simplesmente: “está bom”. Sua proposta é permitir que todos os sete examinem nosso arrependimento.

E aqui surge uma confirmação histórica muito importante: Calvino também enumera exatamente esses sete elementos de 2 Coríntios 7.11 quando trata dos frutos do arrependimento nas Institutas.

Portanto, não precisamos escolher entre duas posições:

“Esses sete elementos são absolutamente tudo o que a Bíblia pode dizer sobre arrependimento.”

ou:

“São apenas detalhes daquela situação e praticamente não se aplicam a nós.”

Existe um caminho melhor.

A Bíblia apresenta outras dimensões do arrependimento: confissão, abandono, retorno a Deus, restituição, nova obediência.

Mas quando 2 Coríntios 7 nos apresenta sete frutos do arrependimento, nossa postura saudável não é perguntar:

“Quantos desses sete preciso ter para passar?”

A postura deve ser:

“Senhor, deixe todos eles examinarem meu coração.”

Visão rápida das sete marcas

#

Termo grego

Marca

Pergunta central

1

σπουδή — spoudē

Diligência / seriedade

O que mudou concretamente porque agora levo o pecado a sério?

2

ἀπολογία — apologia

Defesa / mudança de posição

Estou reconhecendo a verdade ou protegendo minha imagem?

3

ἀγανάκτησις — aganaktēsis

Indignação

Passei a rejeitar aquilo com que antes fazia paz?

4

φόβος — phobos

Temor

Temo apenas as consequências ou temo desonrar a Deus?

5

ἐπιπόθησις — epipothēsis

Desejo / anseio

Quero somente que o problema passe ou quero restauração?

6

ζῆλος — zēlos

Zelo

Existe nova disposição para obedecer exatamente onde falhei?

7

ἐκδίκησις — ekdikēsis

Justiça / reparação

O que posso corrigir, devolver, confessar ou reconstruir?




4.1 PRIMEIRA MARCA — ΣΠΟΥΔΗ

Diligência, cuidado, seriedade

“Quanto cuidado...”

Σπουδή — spoudē

A ideia envolve diligência, prontidão, seriedade, empenho.

Richard Owen Roberts chama essa primeira marca de earnestness, seriedade.

O verdadeiro arrependimento muda a maneira como tratamos o pecado.

Aquilo que antes era:

“não é tão grave assim”

começa a tornar-se:

“preciso lidar seriamente com isso”.

Essa talvez seja uma das marcas mais necessárias em nossa cultura cristã.

Pecamos.

Pedimos desculpas.

Passam alguns dias.

Tudo volta ao normal.

Não investigamos como chegamos ali.

Não mudamos os hábitos que favoreceram o pecado.

Não colocamos limites.

Não cortamos acessos.

Não buscamos ajuda.

Não reconstruímos confiança.

Não fazemos nada diferente.

Depois o pecado retorna.

E pedimos desculpas novamente.

Isso é exatamente o tipo de superficialidade contra o qual Roberts reage.

Arrependimento verdadeiro pergunta:

“O que precisa mudar?”

Se meu pecado envolveu determinados ambientes, talvez esses ambientes precisem mudar.

Se envolveu determinadas conversas, talvez precisem terminar.

Se envolveu acesso secreto, talvez eu precise abrir mão desse acesso.

Se envolveu ausência de prestação de contas, talvez precise procurar alguém maduro.

Se envolveu hábitos, preciso lidar com os hábitos.

Não para comprar perdão.

Mas porque agora levo seriamente aquilo que antes tratava levianamente.

Pergunta de diagnóstico
Estou tratando seriamente aquilo que fiz ou apenas tentando fazer o assunto desaparecer rapidamente?

4.2 SEGUNDA MARCA — ΑΠΟΛΟΓΙΑ

Defesa, esclarecimento, mudança de posição

“Que defesa...”

Ἀπολογία — apologia

A palavra pode designar defesa ou explicação.

Mas existe um perigo evidente de entendê-la como:

“apresentar argumentos para provar que eu não estava tão errado”.

Isso seria exatamente o contrário do movimento do arrependimento.

No contexto, os coríntios demonstraram que já não estavam alinhados com aquilo que haviam tolerado. Sua resposta revelou uma mudança de posição.

Não é:

“Sim, eu errei, mas você também...”

“Não foi bem assim...”

“Todo mundo faz...”

“Você precisa entender o que eu estava vivendo...”

Essas frases podem até incluir elementos verdadeiros, mas frequentemente funcionam como mecanismos para reduzir nossa responsabilidade.

A defesa produzida pelo arrependimento não protege o pecado.

Ela demonstra que já não queremos permanecer ao lado dele.

Wiersbe observa que os coríntios receberam a mensagem e tomaram providências concretas.

Roberts usa a linguagem da vindicação: a questão foi levada verdadeiramente a Cristo, onde existe perdão real, e a pessoa agora deseja andar na verdade.

Pergunta de diagnóstico
Quando sou confrontado, meu primeiro movimento é reconhecer a verdade e demonstrar mudança, ou proteger minha imagem?

4.3 TERCEIRA MARCA — ΑΓΑΝΑΚΤΗΣΙΣ

Indignação contra o pecado

“Que indignação...”

Ἀγανάκτησις — aganaktēsis

O pecado que antes era tolerado passa a incomodar profundamente.

Roberts é particularmente incisivo aqui.

A indignação de Paulo não significa que a pessoa confrontada fica indignada com quem a confrontou.

Não é:

“Como ousam dizer isso de mim?”

É uma indignação direcionada contra o próprio pecado.

A pessoa passa a dizer:

“Não quero mais fazer paz com isso.”

“Não quero proteger isso.”

“Não quero carregar isso tranquilamente na consciência.”

É necessário, contudo, distinguir ódio ao pecado de ódio destrutivo contra si mesmo.

O arrependimento não diz:

“Sou irremediavelmente desprezível.”

Ele diz:

“Esse pecado é perverso e eu não quero mais concordar com ele.”

O Evangelho permite que sejamos muito duros com nosso pecado sem precisarmos concluir que não existe graça para o pecador.

Pergunta de diagnóstico
Aquilo que fiz ainda me parece pequeno, justificável e tolerável, ou comecei verdadeiramente a me indignar contra esse pecado?

4.4 QUARTA MARCA — ΦΟΒΟΣ

Temor

“Que temor...”

Φόβος — phobos

O arrependimento produz temor.

Mas qual temor?

Roberts faz aqui uma aplicação pastoral particularmente bela.

Não reduz o temor a:

“Estou com medo de ir para o inferno.”

Ele pergunta se existe temor de entristecer aquele que se entregou por nós, temor de desonrar Cristo, temor de permitir que o pecado destrua nosso testemunho.

Essa distinção é importante.

Existe um temor centrado nas consequências:

“Tenho medo do que vai acontecer comigo.”

E existe um temor filial:

“Como posso continuar tratando dessa maneira aquele que me amou?”

O verdadeiro arrependimento começa a deslocar o centro.

Não apenas:

“Tenho medo de perder meu casamento.”

Mas:

“Tenho temor de continuar desonrando a Deus dentro do meu casamento.”

Não apenas:

“Tenho medo de perder minha posição.”

Mas:

“Tenho medo de permitir que minha vida contradiga o Cristo que anuncio.”

Esse temor não nos faz fugir de Deus.

Faz-nos fugir do pecado e correr para Deus.

Pergunta de diagnóstico
O que mais me preocupa: sofrer as consequências ou voltar a entristecer e desonrar o Senhor?

4.5 QUINTA MARCA — ΕΠΙΠΟΘΗΣΙΣ

Desejo profundo, saudade, anseio

“Que saudades...”

Ἐπιπόθησις — epipothēsis

A palavra expressa desejo intenso, anseio.

No contexto imediato de 2 Coríntios, existe uma dimensão relacional muito clara.

Tito havia contado a Paulo sobre o anseio dos coríntios por ele, em 2 Coríntios 7.7.

O pecado havia produzido ruptura.

O arrependimento produziu desejo de restauração.

Roberts amplia pastoralmente esse desejo para o anseio pela santidade.

As duas perspectivas se complementam muito bem quando mantemos o contexto.

O arrependido não deseja somente:

“que esse problema desapareça”.

Deseja:

restauração com Deus;

restauração com aqueles que foram feridos;

uma consciência limpa;

santidade;

uma nova maneira de viver.

Uma das diferenças entre remorso e arrependimento talvez esteja exatamente aqui.

O remorso quer rapidamente parar de sofrer.

O arrependimento quer voltar a viver corretamente.

Pergunta de diagnóstico
Meu maior desejo é que o problema desapareça ou que aquilo que o pecado rompeu seja restaurado?

4.6 SEXTA MARCA — ΖΗΛΟΣ

Zelo

“Que zelo...”

Ζῆλος — zēlos

Ardor.

Fervor.

Zelo.

O arrependimento não é apenas movimento para longe do pecado.

É movimento em direção à obediência.

Isso é fundamental.

Não basta:

“Não vou mais mentir.”

O arrependimento começa a amar a verdade.

Não apenas:

“Não vou mais tratar minha esposa assim.”

Mas:

“Quero aprender a amá-la da maneira que Cristo me ordena.”

Não apenas:

“Não vou mais negligenciar meus filhos.”

Mas:

“Quero assumir minha responsabilidade diante de Deus por eles.”

Não apenas:

“Não quero continuar nesse pecado secreto.”

Mas:

“Quero cultivar uma vida de santidade quando ninguém está olhando.”

É aqui que percebemos que arrependimento não produz apenas interrupção.

Produz redirecionamento.

Pergunta de diagnóstico
Meu arrependimento despertou uma nova disposição para obedecer exatamente na área em que eu vinha pecando?

4.7 SÉTIMA MARCA — ΕΚΔΙΚΗΣΙΣ

Justiça, vindicação, disposição para corrigir o mal

“Que vindita!”

Ἐκδίκησις — ekdikēsis

Essa é provavelmente a palavra mais difícil da lista.

Pode carregar os sentidos de vingança, punição, vindicação ou execução da justiça.

Richard Owen Roberts a traduz pastoralmente como:

“avenging of wrong” — corrigir o mal praticado.

Sua pergunta é:

“Existe algo em minha vida que precisa ser colocado em ordem?”

Roberts relaciona diretamente essa marca à restituição.

Isso precisa ser ouvido.

Há pecados que produzem danos que podem ser corrigidos.

Se roubei, devolver.

Se menti publicamente sobre alguém, corrigir publicamente a mentira.

Se fiquei devendo, buscar pagar.

Se destruí injustamente a reputação de alguém, trabalhar para reparar.

Se ofendi, procurar aquele a quem ofendi.

Se escondi algo que precisa ser confessado, trazê-lo à luz.

Aqui Zaqueu torna-se uma imagem extraordinariamente poderosa.

Quando Jesus entra em sua casa, Zaqueu começa a falar de:

dinheiro;

fraude;

pobres;

restituição.

“Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.”
Lucas 19.8

Então Jesus declara:

“Hoje houve salvação nesta casa.”
Lucas 19.9

A restituição não comprou a salvação.

Revelou que alguma coisa havia acontecido naquele coração.

Ao mesmo tempo, precisamos preservar o centro do Evangelho.

O cristão não se pune para pagar pelo próprio pecado.

A cruz não precisa de complementação.

Nenhuma quantidade de sofrimento humano possui valor expiatório.

Mas aquele que foi perdoado deixa de querer proteger o mal que praticou.

Ele fica do lado da justiça — mesmo quando isso lhe custa alguma coisa.

Pergunta de diagnóstico
Existe alguma coisa que meu pecado danificou e que está ao meu alcance reparar, mas que ainda estou evitando corrigir?

5. AS SETE MARCAS REALMENTE PODEM TESTAR NOSSO ARREPENDIMENTO?

Aqui precisamos preservar toda a força do texto.

Richard Owen Roberts diz deliberadamente que não deseja correr o risco de encontrar cinco das sete e concluir:

“está tudo bem”.

Ele orienta o cristão a continuar levando seu coração diante de Deus até que todas as sete marcas possam examiná-lo.

Essa postura merece ser preservada.

E Calvino, muito antes de Roberts, também tratou os sete elementos como frutos do arrependimento.

Portanto, não estamos diante de uma invenção peculiar de um pregador revivalista.

Existe sólida tradição de leitura cristã enxergando 2 Coríntios 7.11 dessa maneira.

Isso não exige afirmar que:

“todo o ensino bíblico sobre arrependimento se reduz exclusivamente a estas sete palavras.”

Claramente a Bíblia apresenta outras dimensões.

Mas isso também não nos permite dizer:

“Paulo apenas descreveu Corinto; essas marcas não precisam me examinar.”

A posição pastoralmente mais segura é esta:

As sete marcas não constituem sete pagamentos pelo perdão nem precisam ser transformadas em uma fórmula mecânica; são sete evidências bíblicas da tristeza segundo Deus que devemos permitir que examinem integralmente nosso arrependimento.

Assim, não perguntamos:

“Qual é o mínimo necessário?”

Perguntamos:

“Senhor, o que ainda está faltando em mim?”

Talvez eu tenha chorado, mas ainda esteja me justificando.

Talvez tenha confessado, mas continue sem reparação.

Talvez tenha abandonado determinado comportamento, mas ainda não tenha desenvolvido zelo pelo que é certo.

Talvez tenha medo das consequências, mas pouco temor de Deus.

Talvez deseje recuperar minha reputação, mas não minha santidade.

O texto nos obriga a continuar examinando o coração.

Não para conquistar misericórdia.

Mas porque recebemos misericórdia e não queremos enganar a nós mesmos.



6. O RESTANTE DA BÍBLIA CONFIRMA: ARREPENDIMENTO PRODUZ FRUTOS

2 Coríntios 7 não está sozinho.

Existe uma grande linha bíblica atravessando as Escrituras.

Joel 2.12-13 — retorno de todo coração

“Convertei-vos a mim de todo o vosso coração [...] rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes.”

Deus rejeita arrependimento teatral.

Não basta aparência religiosa.

O coração precisa voltar-se para ele.

Salmo 51 — confissão sem autoproteção

Davi não transfere culpa.

Reconhece seu pecado.

Busca purificação.

Pede renovação.

Deseja voltar a viver corretamente.

O arrependimento alcança:

passado;

presente;

coração;

relacionamento com Deus;

vida futura.

Provérbios 28.13 — confessar e deixar

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.”

Observe os dois movimentos:

confessar + deixar.

Confissão sem abandono pode ser apenas reconhecimento.

João Batista — frutos dignos

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.”
Mateus 3.8

Lucas 3 mostra o quão concreto isso pode ser.

Quando perguntam:

“Que havemos de fazer?”

João fala de:

generosidade;

justiça econômica;

extorsão;

falsas acusações;

contentamento.

O arrependimento começa no coração e chega rapidamente à vida cotidiana.

Zaqueu — graça que alcança o bolso

Lucas 19 apresenta talvez um dos melhores retratos de reparação.

A graça entra na casa.

E atinge as finanças.

Atos 26.20 — obras correspondentes

Paulo resume sua pregação:

arrepender-se → voltar-se para Deus → praticar obras correspondentes ao arrependimento.

Portanto:

pedir evidências de arrependimento não é necessariamente legalismo.

É linguagem apostólica.

Apocalipse 2-3 — cristãos também são chamados ao arrependimento

Jesus chama igrejas ao arrependimento.

Isso significa que arrependimento não pertence apenas ao momento inicial da conversão.

Há um arrependimento que inaugura nossa volta para Deus.

E há uma vida contínua em que o cristão precisa permanecer sensível ao pecado e disposto a voltar-se novamente para o Senhor.

7. RICHARD OWEN ROBERTS E JOHN OWEN

O arrependimento reconhece o pecado; a mortificação passa a combatê-lo

Os dois autores precisam ser claramente distinguidos.

Richard Owen Roberts é um pregador e escritor contemporâneo ligado à temática do arrependimento e avivamento.

John Owen foi um teólogo puritano inglês do século XVII.

Não são o mesmo autor.

Mas colocá-los lado a lado é pastoralmente muito proveitoso.

Richard Owen Roberts

John Owen

Pergunta: “Como posso saber se estou tratando seriamente meu pecado?”

Pergunta: “Como o cristão deve continuar combatendo o pecado que ainda habita nele?”

Texto central aqui: 2 Coríntios 7.8-11

Texto central aqui: Romanos 8.13

Ênfase: tristeza segundo Deus e evidências do arrependimento

Ênfase: mortificação do pecado pelo Espírito

Ajuda a testar se o arrependimento é real e concreto

Ajuda a transformar arrependimento em combate contínuo contra o pecado

Roberts nos leva a 2 Coríntios 7.

Owen nos leva especialmente a Romanos 8.13:

“Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis.”

O conceito puritano é mortificação.

Mortificar significa:

fazer morrer.

Não negociar.

Não alimentar secretamente.

Não conservar uma pequena área onde o pecado continua protegido.

Uma frase frequentemente associada à obra de Owen resume a urgência:

“Mate o pecado, ou ele matará você.”

Mas existe uma expressão em Romanos 8.13 sem a qual Owen é facilmente deformado:

“pelo Espírito”.

Não mortificamos pecado simplesmente através de força de vontade.

Não se trata de autoflagelação.

Não se trata de produzir sofrimento.

Não se trata de substituir graça por disciplina.

O Espírito Santo age em nossa:

mente;

vontade;

consciência;

afeições.

E nós agimos em dependência dele.

Essa ligação é extremamente importante para este estudo.

As sete marcas não devem terminar em:

“Agora que descobri meu pecado, vou tentar ser mais forte.”

O caminho bíblico é:

CONVICÇÃO → ARREPENDIMENTO → FÉ → MORTIFICAÇÃO PELO ESPÍRITO → NOVA OBEDIÊNCIA

Aqui Calvino fornece outra ponte importante.

Para ele, arrependimento possui duas grandes direções:

mortificação — deixar morrer aquilo que pertence à velha vida;

vivificação — começar a viver para Deus.

Isso protege o arrependimento de ficar apenas negativo.

A vida cristã não é somente:

“não pecar”.

É:

“viver para Deus”.

8. O ARREPENDIMENTO É UM ATO E TAMBÉM UMA POSTURA CONTÍNUA

Calvino afirma que o arrependimento cristão se estende por toda a vida.

Roberts termina sua mensagem dizendo que devemos andar continuamente em espírito de arrependimento.

Isso não significa viver permanentemente esmagado por culpa.

Significa nunca desenvolver amizade confortável com o pecado.

O cristão maduro não é aquele que chegou ao ponto de dizer:

“Não tenho mais nada de que me arrepender.”

É aquele cuja sensibilidade diante de Deus aumentou.

Quanto mais conhecemos a santidade de Deus, mais percebemos áreas do coração que antes nem enxergávamos.

Mas simultaneamente:

quanto mais conhecemos Cristo, mais aprendemos a correr para a graça em vez de fugir dela.

Por isso existe profunda diferença entre:

vida de arrependimento

e

vida de condenação.

A primeira olha para o pecado e corre para Cristo.

A segunda olha continuamente para si mesma e termina em desespero.

9. ARREPENDIMENTO NÃO É AUTOPUNIÇÃO

Precisamos manter isso com a mesma firmeza com que mantemos as sete marcas.

O pecador não precisa sofrer determinada quantidade para que Deus finalmente diga:

“Agora você pagou.”

Não.

Na cruz Jesus declarou:

“Está consumado.”
João 19.30

Nenhuma penitência humana completa aquilo que Cristo terminou.

A linguagem antiga de mortificação, censura própria ou vingança contra o pecado precisa ser compreendida sob a cruz.

O verdadeiro arrependido aceita:

vergonha legítima;

consequências legítimas;

disciplina;

necessidade de reparação;

perda temporária de confiança;

processo de reconstrução.

Mas nenhuma dessas coisas é pagamento expiatório.

ARREPENDIMENTO NÃO É PAGAMENTO. É RETORNO.

A graça não transforma pecado em coisa pequena.

A graça demonstra quão sério ele é:

foi necessária a cruz.

Mas também demonstra quão grande é o amor de Deus:

o pecador pode finalmente confessar sem fugir.

10. NÃO CONFUNDIR SERIEDADE COM DESESPERO

Existe um perigo do outro lado.

Podemos reagir contra o arrependimento superficial e produzir uma espiritualidade esmagadora.

Paulo não faz isso.

Em 2 Coríntios 2.7, tratando da restauração de quem havia sido disciplinado, chega um momento em que diz que a igreja deve:

perdoar;

consolar;

restaurar.

Por quê?

Para que a pessoa não seja consumida por tristeza excessiva.

Isso é extraordinariamente importante.

Paulo primeiro não permite superficialidade.

Depois não permite crueldade.

Calvino faz a mesma advertência ao comentar arrependimento: tristeza é necessária, mas não deve mergulhar a consciência no desespero.

Aqui aparece o equilíbrio do Evangelho:

graça sem verdade produz arrependimento barato.

verdade sem graça pode produzir desespero.

A igreja precisa das duas.

Confrontar.

Esperar frutos.

E, quando há arrependimento verdadeiro:

perdoar;

consolar;

restaurar.

O arrependido não deve permanecer eternamente no banco dos réus.

11. O ARREPENDIMENTO TAMBÉM É COMUNITÁRIO

Existe outra dimensão de 2 Coríntios 7 que não deve desaparecer.

Paulo não está escrevendo simplesmente a uma pessoa.

Está escrevendo:

a uma igreja.

A comunidade havia administrado mal uma situação.

A comunidade precisou responder.

Portanto, podemos perguntar não apenas:

“Eu me arrependi?”

mas:

“Nós nos arrependemos?”

Uma família pode normalizar hábitos pecaminosos.

Uma liderança pode proteger comportamentos por amizade.

Uma igreja pode desenvolver uma cultura em que determinados pecados são tolerados.

Uma célula pode permitir:

fofoca;

ressentimento;

favoritismo;

omissão;

dureza;

permissividade;

mundanismo;

injustiça;

falta de amor.

Então Deus nos confronta coletivamente.

A pergunta não deve ser:

“Quem aqui é o culpado?”

Mas:

“O que precisamos reconhecer e mudar como comunidade?”

Isso transforma o modo de estudar essa passagem em família e na célula.

Não estamos aprendendo sete critérios para acusar os outros.

Estamos entregando sete espelhos para que Deus examine primeiro a nós.

12. ENTÃO, O QUE É ARREPENDIMENTO VERDADEIRO?

Depois de reunir 2 Coríntios 7 com o restante das Escrituras, podemos formular:

Arrependimento bíblico é a obra da graça de Deus pela qual o pecador, convencido da gravidade de seu pecado diante do Senhor, entristece-se segundo Deus, volta-se para ele em fé, confessa e abandona seu pecado e passa a produzir frutos coerentes com essa mudança, buscando, quando possível, reparar aquilo que seu pecado danificou e prosseguindo em nova obediência pelo poder do Espírito Santo.

O ser humano inteiro está envolvido.

Dimensão

Movimento do arrependimento

Mente

Começo a enxergar o pecado diferentemente

Afetos

Começo a entristecer-me porque ele desagrada a Deus

Vontade

Decido abandoná-lo

Direção

Volto-me para Deus

Comportamento

Frutos começam a aparecer

Relacionamentos

Procuro reparar o dano

Futuro

Passo a mortificar aquilo que antes alimentava e a cultivar nova obediência

Arrependimento verdadeiro não é perfeição instantânea.

Mas também não é uma palavra vazia.

Existe direção.

Existe movimento.

Existe fruto.

ARREPENDIMENTO · 2 CORÍNTIOS 7.8-11

13. AS SETE MARCAS COMO EXAME PESSOAL

Talvez esta seja a parte mais importante para ser utilizada na célula.

Não responda rapidamente.

Não responda o que parece espiritualmente correto.

Passe pelas perguntas diante de Deus.

1. DILIGÊNCIA — σπουδή

Estou tratando seriamente aquilo que fiz ou tentando fazer com que o assunto desapareça rapidamente?

Que medidas concretas minha tristeza produziu?

2. DEFESA / ESCLARECIMENTO — ἀπολογία

Parei de proteger, justificar e minimizar meu pecado?

Minha principal preocupação ainda é preservar minha imagem?

3. INDIGNAÇÃO — ἀγανάκτησις

Passei verdadeiramente a odiar aquilo com que antes fazia paz?

Ou continuo pensando:

“não é tão grave assim”?

4. TEMOR — φόβος

Tenho mais medo das consequências ou mais temor de voltar a desonrar Deus?

O que minha resposta revela sobre o centro do meu coração?

5. DESEJO — ἐπιπόθησις

Desejo apenas que o problema acabe ou desejo verdadeira restauração?

Com Deus?

Com as pessoas?

Com a santidade?

6. ZELO — ζῆλος

Existe nova disposição para obedecer justamente na área em que fracassei?

O que estou construindo no lugar do pecado?

7. JUSTIÇA / REPARAÇÃO — ἐκδίκησις

Existe alguma coisa que meu pecado quebrou e que eu posso reparar, mas ainda me recuso a fazê-lo?

O que precisa ser:

confessado?

devolvido?

corrigido?

reconstruído?

14. OUTRAS PERGUNTAS QUE A BÍBLIA ACRESCENTA

Depois das sete marcas de 2 Coríntios 7, podemos ampliar o exame.

Eu confessei voluntariamente ou apenas admiti aquilo que já havia sido descoberto?

Abandonei o pecado ou somente pedi perdão por ele?

Quais frutos concretos demonstram mudança?

Se ninguém tivesse descoberto, eu ainda desejaria mudar diante de Deus?

Estou mais preocupado em recuperar minha reputação ou recuperar comunhão?

Existe alguma consequência que preciso humildemente aceitar?

Que acesso, ambiente, hábito ou relacionamento precisa mudar para que eu pare de alimentar esse pecado?

Existe alguém maduro a quem preciso prestar contas dessa área?

Estou tentando vencer com força própria ou aprendendo a mortificar o pecado pelo Espírito?

Existe alguma nova obediência que precisa ocupar o lugar da velha prática?

15. PERGUNTAS PARA A CÉLULA E PARA A FAMÍLIA

Estas perguntas não foram feitas para constranger alguém a revelar publicamente pecados íntimos.

O primeiro alvo sou eu.

Depois, quando houver liberdade e segurança, podem gerar conversa.

Qual é a diferença entre culpa, remorso e arrependimento?

Como alguém pode chorar sinceramente e ainda não estar arrependido?

Por que temos tanta tendência a desejar que o problema desapareça rapidamente?

Qual das sete marcas de 2 Coríntios 7.11 mais confronta você?

Existe algum comportamento que aprendemos a chamar de “meu jeito”, “fraqueza” ou “temperamento”, mas que talvez precise ser chamado pelo nome bíblico de pecado?

Como podemos ter indignação contra nosso pecado sem cair em ódio contra nós mesmos?

Quando um pedido de perdão precisa ser acompanhado de reparação?

Por que a confiança não pode ser exigida imediatamente de quem foi ferido?

Qual é a diferença entre aceitar perdão e exigir que todas as consequências desapareçam?

Que diferença existe entre simplesmente parar um comportamento e desenvolver zelo por uma nova obediência?

Em que sentido nossa família ou nossa comunidade também pode precisar de arrependimento?

Existe alguma coisa que Deus está nos chamando hoje a confessar, abandonar, reparar ou começar a fazer de maneira diferente?

Essa última pergunta não precisa ser respondida publicamente.

Mas precisa ser respondida diante de Deus.

ARREPENDIMENTO · 2 CORÍNTIOS 7.8-11

CONCLUSÃO

NÃO DESPERDICE A TRISTEZA

Paulo poderia ter dito:

“Finalmente eles sofreram.”

Não foi isso que disse.

“Não me alegro porque fostes contristados.”

A dor não era a vitória.

A vitória foi:

“fostes contristados para arrependimento.”

Existe uma tristeza que podemos desperdiçar.

Choramos.

Sentimos culpa.

Prometemos.

Esperamos a emoção passar.

Voltamos para o mesmo lugar.

Mas existe uma tristeza que Deus usa.

Ela produz:

diligência;

verdade;

indignação contra o pecado;

temor;

desejo;

zelo;

justiça e reparação.

É aqui que Richard Owen Roberts nos presta um grande serviço pastoral.

Ele não permite que cheguemos a 2 Coríntios 7.11 e digamos:

“Já pedi desculpas. Está resolvido.”

Ele pergunta:

Onde estão os frutos?

Calvino faz essencialmente a mesma pergunta ao chamar essas mesmas sete manifestações de frutos do arrependimento.

E John Owen conduz a questão um passo adiante:

agora que você percebeu o pecado, mate-o pelo Espírito.

Não porque somos salvos pelos frutos.

Não porque mortificação compra misericórdia.

Não porque conseguimos pagar nossa dívida.

Mas porque aquele que encontra misericórdia deixa de desejar permanecer abraçado àquilo que crucificou seu Senhor.

Por isso talvez uma das orações mais importantes que possamos fazer seja:

“Senhor, não permita que confundamos remorso com arrependimento. Dá-nos tristeza segundo Deus. Mostra-nos aquilo que temos minimizado. Dá-nos coragem para confessar, humildade para abandonar, diligência para mudar, disposição para reparar e zelo para viver de maneira diferente. Ensina-nos a mortificar nosso pecado pelo teu Espírito. E, quando houver arrependimento verdadeiro, ensina-nos também a receber teu perdão, levantar-nos e caminhar em novidade de vida. Em nome de Jesus. Amém.”

ARREPENDIMENTO · 2 CORÍNTIOS 7.8-11

REFERÊNCIAS

CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Livro III, cap. 3: Regeneração pela fé; do arrependimento.

GRUDEM, Wayne. Teologia sistemática: uma introdução à doutrina bíblica. Grand Rapids: Zondervan; Leicester: InterVarsity Press, 1994.

JAMIESON, Robert; FAUSSET, A. R.; BROWN, David. Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Oak Harbor: Logos Research Systems, 1997. v. 2.

KEENER, Craig S. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.

OWEN, John. On the Mortification of Sin in Believers. In: OWEN, John. Works. Ed. W. H. Goold. Edinburgh: Johnstone & Hunter, 1850-1855. v. 3.

OWEN, John. Overcoming Sin and Temptation. Ed. Kelly M. Kapic; Justin Taylor. Wheaton: Crossway, 2006.

ROBERTS, Richard Owen. Seven Marks of True Repentance. Herald of His Coming, 2000. Mensagem apresentada na Heart-Cry for Revival Conference, Asheville, Carolina do Norte.

ROBERTS, Richard Owen. Repentance: The First Word of the Gospel. Wheaton: Crossway Books.

ROBERTSON, A. T. Word Pictures in the New Testament. Nashville: Broadman Press, 1933.

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo:

Comentários

Postagens mais visitadas