Apêndice teológico
Romanos 4–6: graça, legalismo, antinomianismo e o perigo de uma teologia meramente reativa
Introdução
Romanos 4–6 constitui uma das seções mais densas e pastoralmente decisivas da teologia paulina. Nesses capítulos, Paulo articula a justificação pela fé, a superabundância da graça em Cristo e a nova vida do crente em união com a morte e a ressurreição do Senhor. O argumento do apóstolo é cuidadosamente equilibrado: ele rejeita tanto a confiança humana em obras, ritos, circuncisão, Lei ou identidade religiosa como fundamento da justificação, quanto a distorção da graça como permissão para permanecer no pecado.
Por essa razão, Romanos 4–5 pode ser lido, em certo sentido, como uma resposta ao legalismo, desde que se entenda legalismo como a tentativa de fundamentar a aceitação diante de Deus em obras, mérito, circuncisão, observância da Lei ou pertencimento religioso. Romanos 6, por sua vez, responde à possível conclusão antinomiana: se a graça superabunda onde abundou o pecado, então seria possível continuar pecando para que a graça fosse ainda mais manifesta? A resposta de Paulo é enfática: “De modo nenhum!” (Rm 6.2).
Essa leitura, contudo, precisa ser feita com cuidado. A teologia bíblica não deve ser construída apenas a partir do inimigo que se combate. Quando uma doutrina é desenvolvida somente como reação a determinado erro, corre-se o risco de produzir uma teologia parcial: verdadeira em alguns pontos, mas desproporcional no todo. A história da igreja mostra que muitas formulações doutrinárias surgiram em contextos de conflito. Atanásio respondeu ao arianismo; Agostinho respondeu ao pelagianismo; Lutero respondeu aos abusos do sistema penitencial e meritório da igreja medieval; Calvino escreveu em diálogo e confronto com Roma, com os anabatistas e com grupos libertinos. Esses combates foram necessários e, muitas vezes, providenciais. O perigo surge quando o erro combatido passa a definir toda a arquitetura da teologia.
Romanos 4–6, portanto, não deve ser reduzido a uma simples oposição entre Paulo e o legalismo, ou entre Paulo e a licenciosidade. Esses elementos existem, mas estão dentro de um argumento maior. Paulo apresenta positivamente a obra de Deus em Cristo: Deus justifica o ímpio pela fé, cumpre a promessa feita a Abraão, reconcilia pecadores consigo mesmo, inaugura uma nova humanidade em Cristo e liberta seu povo do domínio do pecado. O apóstolo combate erros, mas não é governado por eles. Ele é governado pelo evangelho.
1. Romanos 4–5 e a rejeição da justificação por obras
Em Romanos 4, Paulo recorre à figura de Abraão para demonstrar que a justificação sempre se deu pela fé, não pelas obras da Lei. O texto central é Romanos 4.3, onde Paulo cita Gênesis 15.6: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”.
No hebraico de Gênesis 15.6, três termos são relevantes para a compreensão do argumento. O verbo הֶאֱמִן — he’emin, derivado de ’aman, indica crer, confiar, apoiar-se na fidelidade de Deus. O verbo חָשַׁב — chashav significa contar, considerar, reputar ou imputar. O substantivo צְדָקָה — tsedaqah indica justiça ou retidão diante de Deus. Na Septuaginta e em Romanos, Paulo utiliza vocabulário grego correspondente: πιστεύω — pisteuō, crer; λογίζομαι — logízomai, imputar, creditar ou considerar; e δικαιοσύνη — dikaiosýnē, justiça.
A força do argumento paulino está no fato de que Abraão foi considerado justo antes da circuncisão. A circuncisão, portanto, não foi causa da justificação, mas sinal posterior da justiça recebida pela fé. Calvino observa que Paulo estabelece precisamente esse princípio: Abraão recebeu a justiça pela misericórdia divina, e não por sua própria dignidade; a circuncisão veio depois como sinal e selo, não como fundamento da justiça (CALVINO, 2001).
Esse ponto é decisivo porque a circuncisão não era um rito periférico na identidade judaica. Ela representava o sinal visível da aliança e distinguia Israel dos povos gentílicos. Contudo, Paulo mostra que Abraão já possuía a justiça antes de receber esse sinal. Logo, nenhuma marca religiosa posterior pode ser transformada em fundamento da justificação. Como observa Osborne, ao colocar Abraão antes de Moisés, Paulo estabelece a prioridade da fé sobre as obras da Lei e demonstra que Abraão é pai não apenas dos circuncisos, mas de todos os que creem (OSBORNE, 2022).
Romanos 4.4-5 aprofunda ainda mais essa lógica:
“Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.”
Aqui Paulo contrapõe duas lógicas: a lógica do salário e a lógica da graça. Se alguém trabalha e recebe pagamento, tal pagamento não é graça, mas dívida. Porém, Deus justifica “o ímpio” mediante a fé. Essa afirmação é teologicamente explosiva, pois remove qualquer fundamento de vanglória humana. Cranfield entende que Romanos 4.4-5 exclui qualquer concepção da justificação como recompensa por desempenho religioso ou moral (CRANFIELD, 1975). Morris, de modo semelhante, destaca que a fé não aparece em Paulo como uma obra meritória substitutiva, mas como confiança naquele que justifica gratuitamente (MORRIS, 1988).
A fé, portanto, não é uma obra refinada que substitui outras obras. A fé é a mão vazia que recebe a promessa de Deus. Ela não compra, não exige, não apresenta credenciais; ela se apoia no Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.
Em Romanos 5, Paulo desenvolve os frutos dessa justificação:
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).
O verbo grego relacionado à justificação é δικαιόω — dikaióō, que, no contexto paulino, possui forte sentido forense: declarar justo, absolver, considerar em posição correta diante de Deus. A justificação resulta em paz com Deus, acesso à graça, esperança da glória, reconciliação e vida em Cristo. Romanos 5 não apenas declara que o pecador é aceito por Deus; ele mostra que essa aceitação inaugura uma nova condição de existência.
Em Romanos 5.12-21, Paulo amplia o horizonte ao contrastar Adão e Cristo. Adão é o cabeça da velha humanidade, marcada por pecado, condenação e morte. Cristo é o cabeça da nova humanidade, marcada por justiça, graça e vida. Agostinho lê essa passagem como a grande antítese entre a condenação em Adão e a justificação de vida em Cristo: os nascidos em Adão estão sob condenação, mas os renascidos em Cristo recebem o dom da justiça e da vida (AGOSTINHO, s.d.). Dunn observa que Romanos 5 trabalha com duas esferas de existência: estar “em Adão” e estar “em Cristo” (DUNN, 1988). Wright, de modo semelhante, entende que Paulo apresenta Cristo como aquele em quem Deus cumpre sua promessa de restaurar a humanidade e formar o povo da nova criação (WRIGHT, 2002).
Assim, Romanos 4–5 combate toda tentativa de fundamentar a aceitação diante de Deus em obras, ritos, circuncisão, identidade religiosa ou mérito humano. A justificação é dom da graça, recebida pela fé, com base na obra de Cristo.
2. Legalismo: definição necessária
Chamar Romanos 4–5 de combate ao legalismo é correto, desde que o termo seja bem definido. Legalismo, nesse contexto, não significa zelo pela santidade, obediência sincera à vontade de Deus ou amor à lei moral do Senhor. Legalismo é a tentativa de transformar obras, ritos, desempenho moral, identidade religiosa ou observância da Lei em fundamento da justificação diante de Deus.
Legalismo não é levar Deus a sério; é tentar usar a obediência como moeda de aceitação. Não é desejar santidade; é transformar santidade em base de vanglória. Não é valorizar os mandamentos; é deslocar Cristo do centro da confiança.
Esse legalismo pode assumir diferentes formas. Há o legalismo meritório, quando alguém pensa ser aceito por Deus porque fez o suficiente. Há o legalismo ritualista, quando a segurança espiritual é apoiada em sinais externos, sacramentos, tradições, liturgias ou pertencimento institucional. Há o legalismo moralista, quando a pessoa se compara a outros e encontra segurança na própria superioridade ética. Há também o legalismo identitário, quando alguém confunde pertencer a determinado grupo religioso com possuir justiça diante de Deus.
No contexto de Romanos, essa última forma é especialmente relevante. A circuncisão, a descendência abraâmica e a posse da Lei podiam ser usadas como sinais de superioridade religiosa diante dos gentios. Paulo confronta essa distorção ao mostrar que Abraão foi justificado pela fé antes da circuncisão. A justiça foi imputada, não conquistada. O sinal veio depois, não antes. A graça veio primeiro.
Stott afirma que a fé exclui a vanglória porque não apresenta méritos diante de Deus, mas recebe a promessa divina de mãos vazias (STOTT, 2000). Essa é a lógica de Romanos 4: o ser humano não se aproxima de Deus como credor, mas como pecador necessitado de graça.
3. A Nova Perspectiva sobre Paulo e a necessidade de evitar caricaturas
A chamada Nova Perspectiva sobre Paulo contribui para essa discussão ao questionar uma leitura excessivamente simplificada do judaísmo do primeiro século. Desde a Reforma, muitos intérpretes leram Paulo principalmente como alguém combatendo uma religião judaica baseada em mérito e salvação por obras. E. P. Sanders, especialmente em Paul and Palestinian Judaism, argumentou que o judaísmo do Segundo Templo não deve ser descrito simplesmente como uma religião de salvação por mérito, mas como uma religião estruturada por aquilo que ele chamou de “nomismo da aliança” (covenantal nomism) (SANDERS, 1977).
Segundo Sanders, o padrão religioso judaico era este: Deus elege Israel por graça, introduz Israel na aliança, dá a Lei ao povo já aliançado, e a obediência funciona como forma de permanecer na aliança, não como meio original de entrar nela. Essa tese não elimina todos os problemas de autoconfiança religiosa no judaísmo do primeiro século, mas impede uma simplificação grosseira, como se todos os judeus fossem legalistas meritórios.
James D. G. Dunn desenvolveu essa discussão ao argumentar que a expressão paulina “obras da Lei” deve ser lida, muitas vezes, como referência aos marcadores identitários judaicos, especialmente circuncisão, leis alimentares e calendário religioso (DUNN, 1983; 1988). Para Dunn, Paulo combatia a imposição desses marcadores aos gentios como condição de pertencimento ao povo de Deus. N. T. Wright também enfatiza a dimensão histórico-aliançal da justificação: ela não é apenas resposta à culpa individual, mas também declaração divina de que alguém pertence ao povo da aliança em Cristo (WRIGHT, 2002).
Essa contribuição é importante porque impede um reducionismo injusto. Paulo não está atacando “o judaísmo” como se todo judeu fosse necessariamente legalista. A própria Escritura apresenta judeus piedosos e devotos: Simeão, que esperava a consolação de Israel; Ana, que servia a Deus com jejuns e orações; José de Arimateia, homem bom e justo, que aguardava o Reino de Deus; Nicodemos, mestre de Israel que procurou Jesus e, mais tarde, aparece ligado ao cuidado com o corpo do Senhor. Esses personagens mostram que havia diversidade dentro do judaísmo. Havia dureza, hipocrisia e autoconfiança religiosa, mas também havia esperança messiânica, temor de Deus, piedade sincera e abertura à revelação de Cristo.
Portanto, quando se afirma que Romanos 4–5 combate o legalismo, é necessário perguntar: que tipo de legalismo Paulo combate? A leitura tradicional enfatiza corretamente a rejeição de qualquer mérito humano diante de Deus. A Nova Perspectiva acrescenta que Paulo também combate o uso da Lei como barreira identitária contra os gentios. Essas duas dimensões não precisam ser excludentes.
Romanos 4.4-5 favorece fortemente a leitura tradicional, pois fala de trabalho, salário, dívida, fé e graça. O problema não é apenas étnico; é também soteriológico. Entretanto, Romanos 4.9-12 favorece a observação da Nova Perspectiva, pois Paulo destaca que Abraão foi justificado antes da circuncisão, tornando-se pai dos crentes circuncisos e incircuncisos.
Romanos 4, portanto, possui uma dimensão vertical e uma dimensão horizontal. Verticalmente, trata da relação do pecador com Deus: ninguém é justificado por obras, mérito ou desempenho. Horizontalmente, trata da inclusão dos gentios na família de Abraão: ninguém precisa assumir os marcadores identitários da Torá para pertencer ao povo de Deus em Cristo. Uma leitura madura reconhece ambas as dimensões. A justificação pela fé exclui o mérito humano e, ao mesmo tempo, abre a família da aliança a todos os que creem em Cristo.
4. Romanos 5.20 e a crise inevitável da graça
O problema é que a exposição radical da graça em Romanos 5 cria uma pergunta inevitável. Paulo afirma que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Essa afirmação é gloriosa, mas também pode ser distorcida.
Stott observa que, em Romanos 4 e 5, Paulo se concentra intensamente no status seguro do povo de Deus. Ele fala da justificação, da paz com Deus, da esperança e da certeza da salvação, mas ainda diz relativamente pouco sobre crescimento, discipulado e santificação. Essa ênfase tornava Paulo vulnerável a críticas. Seus opositores poderiam dizer que sua mensagem tornava as boas obras desnecessárias ou, pior, que estimulava o pecado. Se a lei aumenta a transgressão, e se o pecado faz a graça aparecer ainda mais abundante, então alguém poderia concluir perversamente: aumentemos o pecado para que Deus aumente o perdão (STOTT, 2001).
É exatamente essa falsa conclusão que Paulo enfrenta em Romanos 6:
“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?”
Romanos 6.1-2
Paulo não responde diminuindo a graça. Ele não diz que talvez tenha exagerado. Ele não corrige Romanos 5 tornando a justificação menos gratuita. Em vez disso, mostra que a graça verdadeira nunca vem sozinha. A mesma graça que justifica também une o crente a Cristo em sua morte e ressurreição.
Romanos 6, portanto, não nega Romanos 4–5; Romanos 6 protege Romanos 4–5 contra uma leitura distorcida. Calvino percebe esse ponto ao afirmar que aqueles que imaginam que Cristo comunica justificação gratuita sem comunicar também novidade de vida “dilaceram” Cristo. Para Calvino, separar a justificação da nova vida é dividir aquilo que Deus uniu em Cristo (CALVINO, 2001).
5. Romanos 6 e o combate ao antinomianismo
Romanos 6 combate o antinomianismo. Antinomianismo vem da ideia de estar “contra a lei” ou de rejeitar a lei como norma moral para a vida cristã. Em termos pastorais, é a falsa conclusão de que, se somos salvos pela graça, a obediência se torna desnecessária; se Deus perdoa, o pecado perde sua gravidade; se Cristo pagou tudo, não há chamado real à santidade.
Depois de afirmar que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20), Paulo antecipa a distorção possível:
“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?” (Rm 6.1).
A resposta é imediata:
“De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6.2).
A expressão grega μὴ γένοιτο — mē génoito é uma negação enfática. Paulo rejeita com veemência a ideia de que a graça possa ser convertida em licença para pecar. O verbo usado em Romanos 6.1, ἐπιμένω — epiménō, significa permanecer, continuar, persistir. A questão não é se o cristão ainda luta contra o pecado, mas se pode continuar instalado no domínio do pecado como estilo de vida e ainda apelar para a graça como justificativa.
A resposta de Paulo não é diminuir a graça, mas explicar o que a graça realiza. O crente foi unido a Cristo em sua morte e ressurreição. Romanos 6.3-4 afirma:
“Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo.”
A palavra βάπτισμα — báptisma indica batismo, mas o ponto teológico de Paulo é a identificação com Cristo. O crente foi unido à morte de Cristo e introduzido em uma nova vida. Outros termos importantes aparecem nessa seção: συνετάφημεν — synetáphēmen, “fomos sepultados com”; σύμφυτοι — sýmphytoi, “unidos com”; παλαιὸς ἄνθρωπος — palaiòs ánthrōpos, “velho homem”; καταργηθῇ — katargēthē, “tornado inoperante”, “desativado” ou “anulado quanto ao seu domínio”; e δουλεύειν — douleúein, “servir como escravo”.
John Murray entende que Romanos 6 apresenta uma ruptura definitiva com o domínio do pecado, fundamentada na união do crente com Cristo. Para Murray, não se trata apenas de progresso moral, mas de uma mudança de reino, senhorio e identidade (MURRAY, 1965). Lloyd-Jones segue linha semelhante ao afirmar que Paulo responde ao antinomianismo não com moralismo, mas com a doutrina da união com Cristo (LLOYD-JONES, 1972).
Agostinho também lê a transição de Romanos 5 para Romanos 6 como passagem da condenação em Adão e do dom gratuito em Cristo para o mistério do batismo na morte e ressurreição do Senhor. Depois de falar da condenação por um homem e do dom gratuito por um homem, Paulo passa a explicar que o batismo em Cristo é participação na morte de Cristo, de modo que aqueles que morreram para o pecado não devem continuar vivendo nele (AGOSTINHO, s.d.).
Romanos 6.14-15 explicita o problema:
“Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!”
Aqui o raciocínio antinomiano aparece em sua forma mais clara: se o crente não está debaixo da Lei, então pode pecar? Paulo responde novamente: μὴ γένοιτο. Estar debaixo da graça não significa viver sem senhorio. Significa não estar mais sob o domínio condenatório da Lei nem sob o domínio escravizador do pecado. A graça transfere o crente para o senhorio de Cristo.
Moo observa que Romanos 6 responde diretamente à acusação de que o evangelho da graça conduziria à irresponsabilidade moral (MOO, 2018). Schreiner também destaca que, para Paulo, a graça não apenas perdoa, mas liberta do poder do pecado e produz nova obediência (SCHREINER, 2018).
Portanto, Romanos 6 combate o antinomianismo e a licenciosidade, mas não o faz com moralismo. Paulo não responde dizendo que agora o crente precisa compensar a graça com esforço religioso. Ele responde dizendo que o crente morreu com Cristo. A santidade cristã nasce da união com Cristo, não do medo de perder a aceitação diante de Deus.
6. Antinomianismo e licenciosidade: formas e distinções
Antinomianismo vem da junção de duas ideias gregas: anti, contra, e nomos, lei. Em sentido amplo, é a rejeição da autoridade normativa da vontade moral de Deus. A licenciosidade, por sua vez, é a prática concreta de usar a liberdade como pretexto para satisfazer a carne.
Nem todo antinomianismo aparece da mesma forma. Há expressões diferentes dessa distorção.
O antinomianismo doutrinário afirma que, porque o cristão está debaixo da graça, a lei moral não possui mais relevância normativa. Esse erro confunde libertação da Lei como sistema de condenação com libertação de toda obediência a Deus. Paulo, porém, não diz que a graça nos liberta para a autonomia. Ele diz que a graça nos liberta do senhorio do pecado para pertencermos a Deus.
O antinomianismo prático ocorre quando alguém confessa doutrinas corretas sobre graça e justificação, mas vive como se santidade fosse opcional. A pessoa não nega a obediência em teoria, mas a esvazia na prática. Essa talvez seja uma das formas mais comuns nas igrejas: canta-se sobre a graça, fala-se da cruz, afirma-se a justificação pela fé, mas arrependimento, pureza, reconciliação, justiça, domínio próprio e disciplina espiritual são tratados como temas secundários.
O antinomianismo sacramental ou eclesiástico aparece quando alguém confia em batismo, ceia, membresia, tradição, cargo ou identidade denominacional como substitutos de uma vida transformada. Romanos 6 impede essa conclusão. O batismo não é licença para permanecer na velha vida; ele aponta para morte e ressurreição com Cristo. Calvino, ao relacionar circuncisão e batismo, lembra que os sinais da aliança apontam tanto para o perdão dos pecados quanto para a mortificação da carne; eles não devem ser tratados como sinais vazios nem como fundamento automático de segurança espiritual (CALVINO, 2001).
O antinomianismo intelectual ocorre quando verdades teológicas são usadas de maneira distorcida para justificar má conduta. Doutrinas como graça, eleição, segurança da salvação, liberdade cristã e justificação podem ser abusadas quando separadas da união com Cristo e da santificação. A pessoa pode usar uma doutrina verdadeira de maneira falsa. Pode falar corretamente sobre graça, mas aplicá-la de modo perverso. Pode defender a segurança da salvação, mas desprezar os chamados bíblicos à perseverança. Pode afirmar a soberania de Deus, mas usá-la como desculpa para passividade espiritual.
O libertinismo é a forma mais evidente de licenciosidade. A pessoa conclui que, se é justificada pela fé e não por obras, está livre dos mandamentos de Deus. A liberdade cristã é transformada em licença para pecar. Sproul identifica essa distorção como uma perversão da consciência cristã, na qual a liberdade da condenação é confundida com liberdade para a desobediência (SPROUL, 2014).
Há também formas mais sutis de licenciosidade, como o espiritualismo gnóstico. Nesse caso, a pessoa reivindica uma espécie de conhecimento superior, revelação especial ou direção espiritual que supostamente a autoriza a agir de maneira contrária à ética cristã. Em linguagem contemporânea, isso pode aparecer quando alguém diz “Deus me revelou”, “senti paz” ou “o Espírito me guiou”, mas usa essa linguagem para justificar decisões moralmente questionáveis. Esse tipo é especialmente perigoso porque reveste a desobediência com vocabulário espiritual.
O ascetismo gnóstico não é licenciosidade no sentido comum, mas nasce de uma raiz parecida: uma visão distorcida do corpo. Enquanto o libertinismo despreza o corpo entregando-o ao pecado, o ascetismo despreza o corpo afligindo-o como se a matéria fosse má em si mesma. Ambos erram porque não entendem a criação, a encarnação, a redenção do corpo e a santificação integral. O corpo não é deus, mas também não é lixo. O corpo deve ser apresentado a Deus como instrumento de justiça (Rm 6.13).
Há ainda um antinomianismo terapêutico, muito presente na sensibilidade contemporânea. Nesse caso, a graça é reduzida a acolhimento emocional. Deus consola, mas não corrige. Cristo cura feridas, mas não chama ao arrependimento. A igreja acolhe, mas não discipula. Toda exortação é vista como julgamento; toda disciplina é confundida com abuso; toda chamada à santidade é tratada como legalismo. É verdade que a igreja deve acolher feridos, mas o acolhimento bíblico não abandona a pessoa na escravidão. Jesus recebe pecadores, mas também os chama a uma nova vida.
Por fim, a licenciosidade pode aparecer em áreas concretas: sexualidade, dinheiro, poder, liderança, relacionamentos, consumo digital, língua, ira, ressentimento e abuso espiritual. Judas 4 denuncia pessoas que transformavam “em libertinagem a graça de nosso Deus”. A palavra grega usada ali é ἀσέλγεια — asélgeia, frequentemente traduzida como libertinagem, devassidão ou sensualidade sem freio. A mesma preocupação aparece em Gálatas 5.13: “Não useis da liberdade para dar ocasião à carne”.
Romanos 6 combate todas essas distorções na raiz. Para Paulo, a graça não apenas remove a culpa; ela quebra o domínio do pecado. O crente não é salvo pelas obras, mas é salvo para uma nova vida. A obediência não é a raiz da justificação; é fruto da união com Cristo.
7. Legalismo e antinomianismo: erros opostos com raiz semelhante
Legalismo e antinomianismo parecem opostos, mas têm algo em comum: ambos separam aquilo que Paulo mantém unido.
O legalismo separa obediência de graça. Ele transforma a vida cristã numa tentativa de conquistar aceitação diante de Deus. Nesse modelo, Deus se torna um juiz a ser convencido, a fé vira desempenho religioso e a obediência deixa de ser fruto do amor para se tornar moeda espiritual.
O antinomianismo separa graça de obediência. Ele transforma o perdão em permissão, a liberdade em autonomia e a misericórdia em desculpa para permanecer no pecado. Nesse modelo, Cristo é aceito como Salvador, mas não como Senhor; a cruz consola, mas não crucifica o velho homem; a graça acolhe, mas não transforma.
Paulo rejeita os dois caminhos. Em Romanos 4–5, ele declara que ninguém é justificado por obras, circuncisão, Lei, identidade religiosa ou mérito. Em Romanos 6, ele declara que ninguém foi justificado para continuar escravo do pecado.
Essa é a beleza da transição. Paulo não troca um erro por outro. Ele não sai do legalismo para a licenciosidade, nem da licenciosidade para o moralismo. Ele permanece no evangelho. O evangelho destrói tanto a vanglória de quem acha que merece Deus quanto a presunção de quem quer usar Deus.
A obediência não é a causa da justificação, mas é consequência necessária da união com Cristo. A fé sem obras da Lei justifica; mas a fé que justifica nunca permanece sozinha, porque une o crente ao Cristo morto e ressuscitado.
8. Santificação sem moralismo
Ao combater o antinomianismo, não se deve retornar ao legalismo. Paulo não diz que, uma vez justificado, o crente precisa provar seu valor diante de Deus. Ele diz que o crente morreu com Cristo e ressuscitou com ele. A santificação cristã não começa no medo de perder o amor de Deus, mas na certeza de que pertencemos a Cristo.
Não se obedece para ser aceito; obedece-se porque, em Cristo, houve aceitação. Não se luta contra o pecado para comprar paz com Deus; luta-se porque essa paz já foi recebida pela fé. Não se busca santidade para conquistar uma nova identidade; busca-se santidade porque uma nova identidade foi recebida em Cristo.
Essa é uma das grandes diferenças entre moralismo e santificação bíblica. O moralismo diz que o ser humano precisa mudar para ser aceito por Deus. O evangelho declara que, em Cristo, Deus aceita o pecador pela graça e, por essa mesma graça, o conduz em novidade de vida. O legalismo afirma que é necessário obedecer para ser justificado. O evangelho afirma que o crente foi justificado pela fé e, por isso, agora apresenta sua vida a Deus. A licenciosidade diz que, se a graça é gratuita, o pecado não importa. O evangelho responde que, se a graça uniu o crente a Cristo, o pecado já não pode ser seu senhor.
Lutero, ao comentar Romanos, usa uma imagem pastoralmente preciosa. Ele compara o cristão a uma casa em restauração. A casa já é casa, mas ainda está sendo reconstruída. Assim também o cristão: ele já pertence a Deus, já recebeu as primícias do Espírito, mas ainda está em processo de restauração. O pecado não reina mais como culpa condenatória, mas ainda permanece como realidade a ser combatida até a cura final (LUTERO, s.d.).
Essa imagem impede dois erros. Impede o desespero, porque mostra que a presença de luta não significa ausência de graça. Mas também impede a acomodação, porque mostra que a casa está sendo restaurada, não abandonada em ruínas.
Agostinho também contribui para essa compreensão ao relacionar Romanos 6 com a morte para o pecado e a novidade de vida. Para ele, Paulo não permite que a superabundância da graça seja usada como motivo para permanecer no pecado; ao contrário, a morte e ressurreição de Cristo fundamentam a morte do crente para o pecado e sua nova vida diante de Deus (AGOSTINHO, s.d.).
9. O perigo de uma teologia meramente reativa
A discussão sobre Romanos 4–6 revela um princípio hermenêutico mais amplo: é perigoso construir teologia apenas a partir do inimigo que se combate.
A história da igreja confirma que muitas formulações doutrinárias surgiram em contexto de conflito. Isso não é necessariamente negativo. O erro frequentemente obriga a igreja a formular a verdade com maior precisão. Contudo, quando a teologia se torna apenas reação, ela passa a perguntar mais “como refutar o adversário?” do que “como todo o conselho de Deus se harmoniza?”. Nesse caso, a doutrina pode se tornar parcial, defensiva e desproporcional.
No caso da Reforma, a recuperação da justificação pela fé foi necessária e profundamente bíblica. Lutero prestou um serviço imenso à igreja ao recolocar a graça de Deus no centro da salvação. A Carta aos Romanos exerceu papel decisivo nessa história. Lutero a chamou de “o escrito mais importante do Novo Testamento” e “o mais puro evangelho”; Calvino, por sua vez, afirmou que quem compreende Romanos recebe uma chave para os tesouros da Escritura (LUTERO, s.d.; CALVINO, 2001).
Contudo, em alguns desenvolvimentos posteriores, especialmente em ambientes fortemente antirromanos, qualquer ênfase em obediência, santificação, disciplina ou obras passou a ser vista com suspeita. Isso não corresponde ao equilíbrio do Novo Testamento. Paulo ensina claramente que ninguém é justificado por obras da Lei (Rm 3.28). Mas o mesmo Paulo afirma que a fé não anula a Lei; antes, confirma a Lei (Rm 3.31). Ele também afirma que o crente deve apresentar seus membros a Deus como instrumentos de justiça (Rm 6.13) e que a justa exigência da Lei se cumpre naqueles que andam segundo o Espírito (Rm 8.4).
Usar Paulo apenas contra o legalismo e ignorar Romanos 6–8 é não ser suficientemente paulino. Da mesma forma, usar Romanos 6 para pregar santidade de modo separado da justificação gratuita é cair em outro desequilíbrio.
A teologia saudável precisa ser canônica, não apenas polêmica. Ela deve ouvir Romanos, Gálatas, Tiago, João, Hebreus e os Evangelhos. Deve afirmar que ninguém é salvo por obras, mas também que a fé viva produz obediência. Deve anunciar que a graça perdoa o ímpio, mas também que essa mesma graça educa o crente a renunciar à impiedade, como ensina Tito 2.11-12.
A teologia bíblica não pode ser governada por Roma, pelos judaizantes, pelos libertinos, pelos debates confessionais modernos ou pelas ansiedades de cada época. Ela deve ouvir o texto bíblico em seu contexto, em diálogo com a história da interpretação, mas debaixo da autoridade final da Escritura. Exegese, teologia bíblica, teologia histórica e teologia sistemática precisam caminhar juntas. Klink e Lockett afirmam que a teologia bíblica funciona como ponte entre a interpretação responsável do texto e a formulação sistemática da doutrina (KLINK III; LOCKETT, 2012). Morrow também observa que a teologia sistemática inevitavelmente reflete, em alguma medida, as questões de sua época; por isso, precisa reconhecer suas influências e dialogar com a igreja universal (MORROW, 2011).
10. Romanos 4–6 como correção dos dois extremos
Romanos 4–6 é uma das seções bíblicas mais importantes para corrigir os dois extremos: legalismo e antinomianismo.
Romanos 4 corrige o legalista, mostrando que Abraão foi justificado pela fé antes da circuncisão. A justiça foi imputada, não conquistada. O ser humano não apresenta salário a Deus; recebe graça.
Romanos 5 corrige o desespero humano, mostrando que, onde o pecado abundou, a graça superabundou. Cristo é maior que Adão. A obediência de Cristo supera a desobediência do primeiro homem. A graça reina por meio da justiça para a vida eterna.
Romanos 6 corrige o libertino, mostrando que a graça não é permissão para permanecer no pecado. Quem morreu com Cristo não pode viver como se ainda pertencesse ao antigo senhorio. O pecado ainda pode atacar, seduzir e ferir, mas não deve reinar.
Esse equilíbrio impede tanto o orgulho religioso quanto a libertinagem moral. Contra o legalista, Paulo anuncia que ninguém é aceito por Deus com base nas próprias obras. Contra o antinomiano, anuncia que ninguém foi aceito por Deus para continuar escravo do pecado. Contra ambos, Paulo apresenta Cristo: Cristo é nossa justiça em Romanos 4–5 e nossa nova vida em Romanos 6.
Conclusão
Romanos 4–6 não deve ser lido de maneira fragmentada. O argumento é progressivo e orgânico.
Em Romanos 4, Paulo demonstra que a justificação é pela fé, com Abraão como testemunha principal. A justiça é imputada ao que crê, não paga ao que trabalha. Isso destrói o legalismo meritório, ritualista e identitário.
Em Romanos 5, Paulo mostra os frutos da justificação: paz, acesso à graça, esperança, reconciliação e vida. A obra de Cristo supera a queda de Adão e inaugura uma nova humanidade.
Em Romanos 6, Paulo responde à distorção da graça. A superabundância da graça não autoriza a permanência no pecado, porque o crente morreu e ressuscitou com Cristo. A graça não apenas perdoa; ela transfere o crente de senhorio.
A Nova Perspectiva sobre Paulo contribui ao lembrar que Romanos também trata da inclusão dos gentios, da promessa a Abraão, da circuncisão e da identidade do povo de Deus. Ela corrige leituras que reduzem Paulo a um reformador do século XVI combatendo Roma medieval. Contudo, a leitura tradicional permanece necessária ao destacar que Paulo combate, sim, a vanglória humana, a lógica do mérito e qualquer tentativa de fundamentar a justiça diante de Deus em obras.
Assim, uma leitura madura integra as dimensões soteriológica, histórica, aliançal, eclesiológica e ética do texto. Paulo não escreve apenas contra um inimigo. Ele expõe a grandeza do evangelho: Deus justifica o ímpio, cumpre a promessa feita a Abraão, cria uma nova humanidade em Cristo e liberta seu povo do domínio do pecado.
Romanos 4–5 ensina que ninguém é justificado por mérito, Lei, circuncisão, identidade religiosa ou obras. Romanos 6 ensina que ninguém justificado pela graça permanece autorizado a viver sob o domínio do pecado. A graça que declara justo é a mesma graça que une o crente a Cristo e o conduz em novidade de vida.
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