terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Ressurreição de Jesus (Aula 12 TNT II)


A Ressurreição de Jesus
Aula 12
TNT II

Ressurreição: o cerne da mensagem cristã primitiva
Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela; Atos 2:22-24

A IMPORTÂNCIA DA RESSURREIÇÃO
Os discípulos de Jesus se apegaram firmemente à esperança do estabelecimento do Reino de Deus dentro de um breve período de tempo. Haviam argumentado sobre quem teria a posição mais elevada no Reino (Mt. 18: 1), e a mãe de dois de seus discípulos procurou influenciar Jesus a dar aos seus filhos lugares preferenciais no Reino vindouro (Mc.10:37; Mt. 20:21). A pergunta que os discípulos fizeram após a Páscoa, "Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?" (At. 1:6), mostra que o pensamento deles continuava a ser dominado pela esperança de um reino teocrático terreno. Sem dúvida, aqueles discípulos estavam entre os mais destacados dos que exaltaram a entrada de Jesus em Jerusalém com a exclamação: "Bendito o Reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor!" (Me. 11:10). A morte de Jesus abalou todas essas esperanças.
A morte de Jesus significou a morte de suas esperanças.
Por definição, o Messias deveria ser um soberano que reinaria, não um criminoso crucificado. Em poucos dias, no entanto, tudo isto mudou. Aqueles galileus desiludidos começaram a proclamar uma nova mensagem em Jerusalém. Afirmavam que Jesus era de fato o Messias (At. 2:36), que sua morte tinha sido a vontade e o plano de Deus, muito embora fosse, humanamente falando, um assassinato indesculpável (At. 2:23). Com ousadia, asseveraram que aquele que os judeus tinham assassinado era o autor da vida (At. 3:15), e que, por intermédio desse Jesus crucificado, Deus não somente Ihes oferecia o arrependimento e o perdão dos pecados, mas também cumpriria tudo o que havia prometido pelos profetas do Antigo Testamento (At.3:21).
Qual foi a causa dessa transformação radical, tanto na conduta dos discípulos como em sua atitude para com Jesus? A resposta do Novo Testamento é que Jesus ressuscitou dentre os mortos. Ao passo que o derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes é descrito como o evento que deu nascimento à Igreja como uma comunidade autoconsciente; a transformação dos discípulos - de um grupo aterrorizado, sem esperança e desapontado, em um grupo de pregadores, ousados, de Jesus como o Messias e o agente da salvação - foi causada pela ressurreição dEle dentre os mortos.
De fato, a ressurreição é o cerne da mensagem cristã primitiva.

Resumo
Em suma, o cristianismo primitivo não consistia de uma nova doutrina sobre Deus nem de uma nova esperança de imortalidade, nem mesmo de novas perspectivas teológicas a respeito da natureza da salvação. Consistia do recital de um grande evento, de um poderoso ato de Deus: a ressurreição de Cristo dentre os mortos. Quaisquer novas ênfases surgidas na teologia representam o significado inevitável desse ato redentor de Deus, ao ressuscitar dentre os mortos o Jesus crucificado.

O FATO DA RESSURREIÇÃO
Para o estudante moderno de história e de teologia bíblica, algumas questões difíceis se interligam ao testemunho do Novo Testamento, em relação à ressurreição de Cristo. Atualmente, é impossível para algumas pessoas aceitarem o fato da ressurreição conforme narrado na Bíblia; contudo, a ressurreição serve somente para focalizar a atenção mais intensamente sobre o caráter do curso completo da história da redenção. Paulo escreveu em 1 Coríntios 15:14: "E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé“. Essa declaração parece muito ousada. Não é a fé no Deus vivo que é fundamental à vida? Será que a fé no Deus vivo pode ser perturbada pela realidade ou não-realidade de um evento isolado? Será que o autor de Hebreus estabeleceu a fé em Deus como o princípio básico, subjacente a tudo mais, quando escreveu, "... porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam" (Hb. 11 :6). Não deveríamos dizer que é a fé no Deus vivo que vindica ou dá crédito à nossa confiança na ressurreição de Cristo?
Essa sugestão é persuasiva, mas é contradita da pela linha de raciocínio seguida por Paulo. Se Cristo não ressuscitou, a fé é algo inútil. A razão para tanto não é obscura. O Deus que é adorado na fé cristã não é o produto dessa mesma fé e tampouco a criação de teólogos ou filósofos. Ele não é um Deus que foi inventado ou descoberto pelos homens. E o Deus que tomou a iniciativa de falar aos homens, de revelar-se em uma série de eventos redentores, que recuam, no tempo, à libertação de Israel do Egito e a períodos anteriores a esse. Deus não se tornou conhecido por meio de um sistema de ensino, ou por uma teologia ou ainda por um livro, mas por meio de uma série de eventos registrados na Bíblia. A vinda de Jesus de Nazaré foi o ápice dessa série de eventos redentores; e sua ressurreição é o ponto que valida tudo o que dantes acontecera. Se Cristo não ressuscitou dentre os mortos, a longa jornada dos atos redentores de Deus para salvar seu povo terminou em uma rua-sem-saída, em um túmulo. Se a ressurreição de Cristo não é realidade, então não temos segurança de que Deus é o Deus vivo, pois a morte é a palavra final. A fé é inútil, porque o objeto dessa mesma fé não vindicou a si próprio como o Senhor da vida. A fé cristã, portanto, está aprisionada no túmulo, juntamente com a mais elaborada e final auto-revelação de Deus em Cristo - se Cristo, realmente, estiver morto.
Nosso entendimento da ressurreição de Cristo é uma questão muito mais ampla do que a própria ressurreição; envolve a natureza da fé cristã como um todo, a natureza de Deus e de sua obra redentora. A Bíblia representa Deus como um Deus vivo, que é criador e sustentador de toda vida e existência, que não pode nem ser identificado com sua criação, de forma panteísta, nem pode estar separado dela, de forma deísta. Ele está acima da criação e da história, e ainda assim, permanece continuamente ativo nelas. Como o Deus vivo, é capaz de agir por meio de processos que transcendem a experiência e o conhecimento humano comum.

O Testemunho do Novo Testamento sobre a ressurreição:
O testemunho do Novo Testamento é que um ato objetivo aconteceu em um jardim fora dos limites de Jerusalém, no qual o Jesus crucificado e sepultado emergiu do túmulo, para uma nova ordem de vida. Ao tratarmos do fato objetivo da ressurreição, não é nossa intenção provar esse fato para compelir à fé. Reconhecemos que a fé não pode ser compelida pela recitação de fatos "históricos" ou objetivos, mas somente pela operação do Espírito Santo no coração humano. Porém o Espírito Santo usou o testemunho dos discípulos quanto à realidade da ressurreição de Cristo, e devemos, aqui, testemunhar os fatos do registro encontrado no Novo Testamento.

Fatos que são atestados pelos Evangelhos:
                    I.            Jesus foi morto. Poucos estudiosos sérios questionarão esse fato;
                 II.            Em segundo lugar, as esperanças dos discípulos também estavam mortas;
               III.            Um terceiro fato é este: o desânimo e frustração dos discípulos foram abruptamente transformados em confiança e certeza;
              IV.            Um quarto fato é o túmulo vazio. Esse é testemunhado por todos os Evangelhos e está pressuposto na confissão de fé, feita por Paulo, em 1 Coríntios 15: 1-3;
                 V.            Um quinto fato histórico é a fé na ressurreição. Poucos negariam hoje que a crença dos discípulos na ressurreição de Jesus dentre os mortos, seja um fato histórico sólido. Os estudiosos que são incapazes de crer em uma real ressurreição de Jesus admitem que os discípulos creram nela.

Conclusão

A ressurreição de Jesus não é um evento isolado, que outorga aos homens a calorosa confiança e esperança de uma ressurreição futura; é o início da própria ressurreição escatológica. Se pudéssemos utilizar termos rudimentares na tentativa de descrever realidades sublimes, diríamos que um pedaço da ressurreição escatológica foi retirado da eternidade e plantado no meio da história. O primeiro ato do drama do Ultimo Dia aconteceu antes do Dia do Senhor.
A vida eterna apareceu no meio da mortalidade.
Assim, concluímos que a ressurreição de Jesus é um evento escatológico, que ocorreu na história e deu surgimento à igreja cristã. Contém a nota que nos dá a pista para compreendermos o caráter e a mensagem da igreja primitiva. A Igreja veio a existir em virtude de um evento escatológico, e ela, por sua vez, é uma comunidade escatológica, com uma mensagem escatológica. De alguma forma real, os eventos pertencem ao fim dos tempos e a consumação escatológica invadiu a história.

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